Em 2024, Brasil e Vietnã celebraram 35 anos de relações diplomáticas, e a relação bilateral foi elevada a Parceria Estratégica em 17 de novembro de 2024.
Brasil e Vietnã firmaram, no dia 28 de março (sexta-feira), um plano de ação para o período de 2025 a 2030 a fim de implementar Parceria Estratégica entre os dois países, que é um tipo de relacionamento diplomático superior.
O ato foi oficializado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Vietnã, Luong Cuong, em Hanói, capital vietnamita, onde Lula está em visita de Estado.
Em 2024, Brasil e Vietnã celebraram 35 anos de relações diplomáticas. A relação bilateral foi elevada a Parceria Estratégica em 17 de novembro de 2024, quando da vinda do primeiro-ministro do país, Pham Minh Chinh, à margem da Cúpula do G20, no Rio de Janeiro. Entre as nações do Sudeste Asiático, apenas a Indonésia é um parceiro estratégico do Brasil.
Com o fluxo de comércio bilateral o Brasil exporta mais para o Vietnã do que vende para Portugal, Reino Unido e França, mostra dados do comércio exterior. Em 2024, Brasil e Vietnã registraram um volume de comércio de US$ 7,7 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 415 milhões. A meta é chegar a US$ 15 bilhões em volume comercializado até 2030, em um contexto mais amplo de aproximação do Brasil com nações do Sudeste Asiático.
O plano de ação reúne prioridades do relacionamento bilateral em assuntos como defesa, economia, comércio e investimentos; agricultura e segurança alimentar e nutricional; ciência, tecnologia e inovação; meio ambiente e sustentabilidade; transição energética e cooperação sociocultural e assuntos consulares.
Comércio — A Parceria Estratégica também pretende aprofundar o diálogo político, reforçar a cooperação econômica, intensificar o fluxo de comércio e os investimentos, fortalecer a coordenação em temas da agenda multilateral e impulsionar novas iniciativas de cooperação.
O Vietnã já é o quinto maior consumidor dos produtos agropecuários brasileiros. O Brasil fornece cerca de 70% da soja importada pelo Vietnã, além de ser o principal fornecedor de carne suína (cerca de 37%), o segundo maior de carne de frango e de algodão.
A ampliação do comércio entre as duas nações também prevê a abertura do país asiático à carne bovina brasileira.
Além das exportações ligadas ao setor de alimentos, o presidente acredita que o Brasil tem potencial para investir em produtos de valor agregado.
—Já contribuímos para a segurança alimentar do Vietnã e queremos ampliar a exportação de bens de maior valor agregado, incluindo aeronaves. Espero que a Vietnam Airlines possa avaliar positivamente a oferta da Embraer para os jatos da família E-Jets, ideais para a conectividade regional— disse o presidente do Brasil.
Outro caminho apontado é o fortalecimento das relações é a cultura do café, com a colaboração em pesquisas para tornar a produção mais resistente aos impactos da mudança do clima.
—Vietnã e Brasil são os dois maiores produtores mundiais de café, um intercâmbio técnico iria fortalecer a resiliência da cultura do café. O Vietnã pode se beneficiar do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, proposta pelo Brasil, e ser remunerado por seu esforço de preservação ambiental.
As autoridades vietnamitas foram convidadas para participarem da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que será realizada em novembro, em Belém, no Pará. Também há interesse do Brasil, principalmente no segundo semestre de 2025 quando o Brasil estará na presidência do Mercosul o interesse em aproximar o Vietnã da zona comercial de países sul-americanos.